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"O GUARDADOR DE REBANHOS" ALBERTO CAEIRO


(...)Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.


(...)Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...

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HUMANA

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ESCOLHI-TE COMO A IMAGEM DE TODAS AS PESSOAS QUE TÊM SIDO A RAZÃO DA MINHA NAVEGAÇÃO NA BLOGOSFERA

ANTÓNIO PAIS

A inocência de um escritor-menino...

domingo, 14 de junho de 2009

LIBERDADE DE EXPRESSÃO?

(imagem do Google)
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Hoje recebi, através de e-mail, o texto que me atrevo a publicar. O autor é anónimo. Não concordo com o anonimato, mas compreendo-o.
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O que tem a ver com poesia? - perguntarão!
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"São essas regiões secretas que nos parece útil explorar. E não é um historiador, mas um poeta que nos servirá de guia." (Louis Pauwels e Jacques Bergier in "O Despertar dos Mágicos".
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"O que torna o quotidiano ainda habitável e poético são as artes, inúmeras e secretas, da memória e do esquecimento." (Marc Guilhaume).

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No passado dia 13 passou-se mais um aniversário sobre a data do falecimento (2005) dum dos maiores poetas contemporâneos de língua portuguesa. Estive atento aos telejornais das nossas apodrecidas estações de televisão. Nem uma palavra passada em rodapé.
O que apenas conta, nos nossos tempos, são as audiências, pois a partir daí eles facturam com a publicidade, valores que lhes proporcionam lucros fabulosos.

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Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos;
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caíndo ao chão, apodrecidos.
Eugénio de Andrade
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O gajo que escreveu isto é um génio!!!!!!!!! 5 *****!!!!!!!!!!!!

A SIC montou uma gigantesca campanha de promoção para a sua nova série/novela/monte de merda, que dá pelo nome de Rebelde Way.
Depois de anos a apanhar bonés, percebeu que a melhor maneira de combater a morangada da TVI era...imitar. É lógico. Era inevitável.
Depois de 20 minutos a ver a nova série (o que me provocou uma crise de cólicas da qual só um dia depois começo a recuperar) sinto-me preparado para uma análise.
Bora lá. A fórmula é a mesma nos dois canais. Aqui fica a receita:

1 - Pitas boas. Muitas, quanto mais descascadas melhor (as séries de verão são, naturalmente, as melhores, porque eles vão todos juntos para a praia).
2 - Gajos "estilosos". A coisa divide-se em dois: há aqueles que têm quase 30 anos mas fazem de adolescentes, e depois há os que são mesmo adolescentes. Estes últimos são aqueles que se levam a sério enquanto "actores".
O requisito essencial para qualquer gajo que entre nestas séries é ter um penteado ridículo.
3 - O Rebelde Way tem gajas do norte. Fazem de gajas daqui, mas aquele sotaque é fodido de perder. Fica ridículo, mas as gajas são boas.
4 - Nos Morangos, a palavra "pessoal" é dita 53 vezes por minuto, normalmente inserida nas frases "Eh pá, pessoal!", no início de cada conversa, ou então "Bora lá, pessoal", antes do início de qualquer actividade.
Agora vamos à bosta que a SIC acabou de parir, com pompa, circunstância, varejeiras e mau cheiro. Chama-se Rebelde Way. Cool, man!
O slogan dos Morangos era "Geração Rebelde", mas a inspiração deve ter vindo de outro lado, de certeza. O que me irrita na poia da SIC é que os gajos são todos betinhos (até os mânfios são todos giros e cool e com uma caracterização ridícula, como se fossem a um baile de máscaras vestidos de agarrados ou arrumadores de carros). Mas depois são bué rebeldes. São bué mauzões, man! A brincar com os seus iPhone, com as suas roupinhas fashion, grandes vidas, mas muita mauzões.
Se há algo que esta geração de morangada não pode ser, não tem direito a ser, é ser rebelde. Rebelde porquê, contra quê? Nunca houve em Portugal geração mais privilegiada do que a actual, à qual esses putos pertencem. Nunca qualquer puto teve tanta liberdade e tanta guita no bolso como esta malta. Nunca as pitas foram tão boas e tão disponíveis para foder com a turma inteira como agora. Nunca houve tamanha liberdade de mandar os pais à merda e exigir uma melhor mesada porque é altura dos saldos. Rebelde porquê? Em nome de quê?

É claro que isto são pormenores com os quais as novelas não se deparam, nem têm de o fazer. O objectivo é simples: para uma geração tão privilegiada como aquela que é retratada, há que criar uma rebeldia fictícia, porque não é cool ser dondoca aos 16 anos. Mas é o que todos eles são.

Há uns tempos vi, no Largo do Carmo, um bando de uns 15 putos e pitas, vestidos à "dread" com roupinha acabada de comprar na "Pepe Jeans".
Um dos putos que ia à frente, não devia ter mais de 16 anos, vem a falar à idiota como se fosse dono da rua, saca duma lata de tinta e escrevinha qualquer coisa de merda na parede. Todos se riram, todos adoraram, e ele foi, durante cinco minutos, o maior do bairro. Não fiz nada, mas devia ter-lhe partido a boca toda.
Todas as últimas gerações antes desta (incluindo a minha, a Geração Rasca, que se transformou na Geração Crise - bem nos foderam com esta merda) tiveram de furar, de lutar, de fazer algo. Havia uma alienação mais ou menos real, que depois se podia traduzir nalguma forma de rebeldia. Não era o 25 de Abril como os nossos pais. A nossa revolução é a dos recibos verdes e da consolidação orçamental. Mas esta morangada sente-se, devido à merda que a televisão lhes serve e aos paizinhos idiotas que (não) a educaram, que é dona do mundo. Quando já és dono do mundo, vais revoltar-te contra quem? E por que raio haverias de o fazer?!
E assim vamos nós. Com novelas de putos "rebeldes", feitas por "actores" cujo momento de glória é entrar numa boys band ou aparecer de cú ao léu na capa da FHM, ensinando a todos os outros putos que temos que ter cuidado com as drogas (mas todos os agarrados são limpinhos, assépticos, com os mesmos penteados ridículos), que a gravidez adolescente é má (mas todas as pitas querem foder à grande, porque são donas da sua própria vida e os pais não sabem nada, etc) e que, sobretudo, este mundo lhes deve alguma coisa.
Os tomates.A mim e aos meus, o mundo deve alguma coisa. Aos que foram atrás da merda do canudo para trabalhar num call center, aos que se matam a trabalhar e são forçados a ser adultos antes do tempo. Não a esta cambada de mentecaptos.
E depois estas séries vão retratando "problemas sociais da juventude", afagando a consciência de quem "escreve" aquela merda, enquanto ao mesmo tempo incentivam esta visão egocêntrica, egoísta e vácua desta geração acabadinha de sair do forno.
Talvez eu esteja a ficar velho e a soar como o meu pai. Lamento se não é cool. Mas esta merda enoja-me.»
Anónimo (senão ainda vou dentro)...
.(imagem do Google)

8 comentários:

ARTISTA MALDITO disse...

António, o que se passa neste desgraçado país é uma vergonha para todas as gerações. As que no passado lutaram por melhores condições de vida, as que deixaram um legado cultural, as que ainda hoje se mantêm fiéis a um ideal.

Tenho amigas, como bem sabe, que são muito mais novas do que eu, no entanto são pessoas dignas, competentes, cheias de valor(es).

Os paizinhos destes jovens, vazios, irremediavelmente irrecuperáveis para a sociedade, são responsáveis por não terem exercido o seu papel de Pais.

A sociedade perde, o país fica mais pobre.

Infelizmente é esta a realidade. Os órgãos de comunicação social usam e abusam do seu poder, alienando em nome da massificação.

Beijinhos
Isabel

O mar me encanta completamente... disse...

Parabéns por essa
sensibilidade que flui
de dentro de sua alma.
teu cantinho é o retrato disso.
Um beijão!!!

Glória

ematejoca disse...

Vivemos numa Democracia!!!
Se eu gosto da novela "Morangos com Pimenta" tenho o direiro de ver esse programa, e quem não gosta de o ver pode mudar de canal ou apagar a TV... e ler Fernando Pessoa ou Eugénio de Andrade.
NÃO podemos NEM devemos impor os nossos interesses aos outros.
É uma questão de civismo, de tolerância e de respeito pelo nosso semelhante.
A forma moralista do texto do anónimo, tentando impor suas ideias é pura e simplesmente incorrecta.
A pretensão de acharmos que alguém que vive fora do nosso esquema está errado e que o saber intelectual é que é tudo, é absurdo.
Os jovens actuais não são melhores nem piores do que os jovens das gerações anteriores, são diferentes.

Agora já é tarde. Boa noite!

ARTISTA MALDITO disse...

Não há nada como uma boa troca de opiniões. É assim a democracia, podermos manifestar e expressar o nosso pensamento.

Concordo com a Teresa porque vejo o seu ângulo de perspectiva. Não conheço a realidade na Alemanha, suponho que o fenómeno da globalização tenha esbatido as diferenças entre os países no que diz respeito à comunicação social.

O facto mais relevante, porém, é o facilitismo de vida que tem alienado muitos jovens.

Aqui é que podem divergir os pontos de vista.

1- Os jovens que têm a sorte de nascer em famílias com recursos económicos e culturais.

2- Os que por variadas razões ficam mais permeáveis às solicitações dos mercados e à imposição das indústrias que dominam esse mesmo mercado.

Penso que este e-mail seja uma caricatura de uma realidade que existe e me é estranha por ter outra posição perante a vida.

Concerteza que há tantos jovens saudavelmente educados, mas a questão cultural é "coisa" que se reduz, nos órgãos de comunicação, ao banalismo.

Daqui até ao conceito de felicidade é fácil de concluir que os bens materiais se sobrepõem aos bens imateriais, como é o caso da mal-tratada poesia.

Vendedores de "sonhos" sempre existiram, mas fazedores de sonhos só os poetas, na sua forma sibilina de apresentar o mundo:

Árvores

Sem fadiga, as árvores regressam
ao poema. Primeiro as laranjeiras,
a seguir entram as tílias.
Sempre estiveram perto, incapazes
de se afastarem dos pequenos
olhos imensos.
À sombra dos cavalos
podia vê-las chegar carregadas
do seu aroma, dos seus frutos frios.
A tarde chegava ao fim
mas tive tempo ainda
de as sentir, com um sorriso, aproximar.

ANDRADE, EUGÉNIO, in Os sulcos da sede.

Amora disse...

Muito bom esse texto. Em Portugal, assim como aqui, no Brasil, esse texto é uma realidade. Não creio que devemos culpar os jovens, mas tenho certeza que sempre é válida a crítica que permite repensar os valores da sociedade. Apesar de forte, o texto faz bem o que se propõe: nos por a pensar. Muito bom.

BC disse...

E estou de volta e deparo-me com uma realidade do nosso país, triste realidade, mas tem toda a razão.
Eu no dia 10 fui para Peniche para os anos do meu pai e não estive muito atenta à TV, mas é o habitual infelizmente.
A cultura cada vez se nota mais, nos programas interessantes que passam.
Enfim, assim vai o mundo.
Beijo amigo
Isabel

ematejoca disse...

Meu caro António!

O que me irritou no texto do anónimo nem foi a crítica à sociedade, mas sim a sua línguagem muitíssimo grosseira.

Marta Vasil disse...

Este artigo merece ser discutido. Tem muitas pontas de meada por onde se puxar. Apenas pelos comentários isso já se verificou.
Vou puxar apenas algumas pontas e deixar algumas perguntas no no ar.
O artigo fala de grandes verdades, de uma televisão estéril de qualidade, repetiva, aliciante à fama fácil, que com o seu baixo nível consegue, contudo, captar enormes audiências. Seria iteressante um debate a começar por aqui. Porque acontece então isto? Culpa da TV ou culpa de nós?
Depois vejo também uma crítica acesa à roda jovens, ao seu modo de estar na vida, aos seus hábitos, ao facilitismo com que são educados, à rebeldia que lhes está no sangue... Há culpados? Quem o são? Porquê?
Já me estou a alongar, mas terei ainda de dizer que acredito e respeito muito os jovens, embora me choquem determinadas coisas deles, sabendo que muitas das suas atitudes são culpa de cada um de nós enquanto cidadãos mal formados, cansados, angustiados, desiludidos com o dia a dia que tão ferozmente nos rouba a dignidade de seres humanos. Porque acontece isto? É apenas culpa dos jovens e do cidadão comum? Não haverá outros factores responsáveis por isto (morais, políticos/económios...?
Finalizo “dando nota negativa” à linguagem do autor do artigo. Considero que por ser “pública”, pode ferir sensibilidades; vai contra a boa educação. Afinal o anónimo crítica a alguns abusos da linguagem da “morangada” usando abusos ainda mais excessivos. E isto eu não entendo.

Um beijnho e obrigada por trazer o artigo à “praça pública”, julgo que ninguém lhe ficará indiferente, pela verdade que contém e pelos exageros que carrega.

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