
(Imagem criada por Isabel Lassuta Monteverde)
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PÓ DE AMOR
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Lanço confiante ao vento o pó do amor
Esperando que volte vitaminado e assente
Pulvilhando energias cósmicas na tua dor
Pois não suporto mais ver-te assim doente
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Amor tão jovem traiçoeiramente ameaçado
Que o pó da esperança decerto abençoará
E cautelosos iremos segurá-lo enlatado
Pois nem a memória nunca nunca o soprará
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Com este pó d' amor que é único me inebriei
Levado ao êxtase que contigo compartilhei
Vou esperar com Fé na tua breve recuperação
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Embrenhar-nos-mos nele até ao Infinito
Sim, sim, meu amor, é nisto que acredito
Neste pó que é também semente da paixão.
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(publicação extraída do blogue POUDRE D'OR em parceria com TENTATIVASPOEMATICAS)
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Amarelada, poeirenta, com algumas palavras ilegíveis nas dobras, o documento abaixo, datado de 21 de Abril de 1947, faz parte da herança material que me deixou a minha saudosa mãe. Trata-se duma carta com 4 páginas, com quadras, dedicadas pelo meu pai à minha mãe, que na altura se encontrava doente, com a chamada "febre reumática".
Não existia a liberdade de expressão de que gozamos hoje, daí o seu interesse, assim como pelo facto de também eu hoje estar a versejar e a desejar as melhoras à minha amada.
Foram outros tempos mas os gestos são os mesmos.
Versos de "10 Quadras" de Profundo Amor.
I
Fernanda para mim é um nome
que me dá satisfação
Pouco a pouco se penetra
no fundo do meu coração
II
Não posso esquecer esse nome
é certo digo; e não minto.
pois é verdade acredita
Digo isto, é porque sinto
III
Sinto e d'onde sentirei
foi coisa que nunca senti
meu coração só está bem
quando está junto de ti
IV
Considerava-me feliz
e amava-te com mais fervor
sabendo que tu não tinhas
longe um verdadeiro amôr
V
Não sei para que o amôr
Nos tem tanto rodeado
para no fim disto tudo
partir um para cada lado
VI
Tenho tido tantas aves
é certo; e eu já previ
nunca lhes tive tanto amôr
como tenho tido por ti.
VII
Se não fôsse o amôr que tu tens
com lealdade te digo
houvesse pois, o que houvesse
tinhas que casar comigo.
VIII
Sei que és comprometida
com alma fé e primôr
confesso digo não minto
que te tenho muito amôr
IX
Se queres saber que te amo
com todo amôr e brazão
põe teu ouvido no meu peito
e ouve meu coração.
X
Escuta-o com amizade
com amôr e devoção
pelas pancadas que ele der
verás se te tenho amôr ou não.
-.-
Com esta quadra termino
um sonho que tu devóras
já é ser muito amiguinho
desejando-te as melhóras.
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Dêste teu estimado
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Mário Manuel Pais
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Praça da Figueira (Lisboa) em 1947

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Eventos no ano de 1947
25 de Fevereiro - O Governo português determina que cessem as restrições ao consumo de energia eléctrica, em vigor desde a Segunda Guerra Mundial.
1 de Março – O Fundo Monetário Internacional inicia as suas operações.
12 de Março - Presidente estadunidense Harry Truman, num dramático discurso ao seu congresso anuncia a Doutrina Truman e é iniciada a Guerra Fria.
21 de Abril - O meu pai escreve umas quadras à minha mãe
10 de Maio – Fundação da cidade de Maringá, no norte do Estado brasileiro do Paraná.
15 de Agosto – A Índia ganha a independência do Império Britânico. O Paquistão separa-se da Índia (Partição da Índia).
2 de Outubro - Fundação do Museu de Arte de São Paulo - MASP.
14 de Outubro - Ocorre a primeira quebra da barreira do som, na Califórnia - USA, no avião X1A comandado pelo piloto militar Chuck Yeager.
20 de Novembro - A Rainha Isabel II do Reino Unido casa com Filipe Mountbatten, Príncipe da Grécia e Dinamarca.
21 de novembro - Começa a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Emprego, em Havana, Cuba.
29 de Novembro – A Assembleia Geral das Nações Unidas vota a divisão da Palestina entre árabes e judeus.
Ano de criação do Tio Patinhas.
Ano de criação da câmera Polaroid.
Theodor Adorno e Max Horkheimer finalizam, em solo norte-americano, a obra Dialética do Esclarecimento.
Ano da criação da arma AK-47.