



Relativamente à minha publicação anterior, datada de 14 de Junho, e intitulada: "Liberdade de Expressão ?", cumpre-me realçar que não são os jovens que ponho em causa.
Relaciono-me muito pouco com pessoas da minha faixa etária. Os meus melhores amigos e amigas são amigos e amigas dos meus dois filhos, os quais, fruto da educação e atenção que lhes proporcionei (não esquecendo os professores que ainda recordamos com admiração e saudade), felizmente nunca se deixaram arrastar por modas, enquanto intencionalmente desviantes de comportamentos pouco saudáveis, por parte da sociedade em que estamos inseridos.
Aquilo que pretendi denunciar foi a forma abjecta como quase toda a nossa comunicação social nos tenta sub-repticiamente manipular (sobretudo aos jovens inexperientes e incautos)
É sobejamente conhecido que ainda existem neste "jardim à beira mar plantado" mais de 30% de pessoas iletradas (!!!)
Este país não se limita às suas principais cidades: Porto, Coimbra, Lisboa, Faro... O país real só tem, na generalidade do seu território, à disposição da sua população, 3 (três) canais de televisão: Rtp-1, SIC e TVI. A Rtp-2 é vocacionada para programas de índole cultural. Nem todos têm, portanto, acesso aos canais via satélite ou por cabo.
No meu entender "democracia" é apanágio dos poderosos: daqueles que têm dinheiro.
Após a chamada "Revolução dos Cravos" em 25 de Abril de 1974 já conheci o sabor amargo, dilacerante e revoltante de ver 3 (três) trabalhos literários censurados, um dos quais num programa de sátira social, em televisão.
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No meu artigo a uma página, publicado no extinto Jornal da Chamusca e do Vale do Tejo, na rubrica Janela Aberta, datado de Fevereiro de 2002, escrevi : “...Com uma precisão impressionante, um ano depois, a mesma estrada que liga a Carregueira à Chamusca voltou a chorar duplamente lágrimas de sangue por outros dois cachopos queridos que morreram...”
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Não pretendo revolver feridas ainda e nem sempre completamente saradas. Apenas aproveitar a oportunidade para os homenagear e recordá-los na profunda saudade que nos deixaram.
Naquele artigo de Fevereiro ficou escrita uma singela mas muito sentida homenagem a um rapaz querido da nossa terra, também ele motard : O Nelson Campos. Porque o Fevereiro, um ano depois, levou do nosso convívio mais dois cachopos utilizadores e amantes das duas-rodas : os queridos e saudosos Cazé e o Carlitos (Quian).
Fevereiro...uma vez mais...
Os amigos dos meus filhos meus amigos são ! Independentemente do meu mais ou menos próximo relacionamento com eles.
Na pessoa do Luís (o Micha) eu lembrava, à semelhança do que acontece com o seu irmão, a figura dum homem simpático, que tal como o meu pai, foi Carteiro Rural : o saudoso senhor Abel.
O Luís, se Deus o permitir, deixa no ventre da linda e doce Sandra uma parte material da sua curta e dolorosa existência entre nós.
Para a família, para a AVUCA, para os amigos e para os motards deixo este texto singelo mas provido de grande sentimento de pesar.
Porque entendo que muito mais impressionante do que as palmas comprimidas e confinadas ao interior dum estádio de futebol é o arripiante grito de dor e de adeus, ao ar livre, em uníssono, lançado pelas “cordas vocais” dos escapes de alto rendimento que emprestam à embargada voz humana, provenientes da alma dos motards misturadas no trabalhar dos potentes motores das Yamahas, das Suzukys, das Hondas, das Kawasakys...
Os punhos dos aceleradores são puxados insistentemente até aos empanques, levando os ponteiros dos conta-rotações a subirem nervosamente até aos limites do red-line, enquanto que o interior das viseiras dos capacetes de várias cores se vão embaciando e salpicando com o salgado das lágrimas.
É, sem dúvida, um dos rituais mais aterradores, mais comoventes, mais sentidos e mais inolvidáveis que jamais conheci. Esta manifestação de pesar e de despedida só a conseguem entender na plenitude aqueles que já foram ou são motards ; ou aqueles que já tiveram ou têm filhos motards. Por isso há quem diga que ser motard é também um estado de espírito !...
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O gajo que escreveu isto é um génio!!!!!!!!! 5 *****!!!!!!!!!!!!
A SIC montou uma gigantesca campanha de promoção para a sua nova série/novela/monte de merda, que dá pelo nome de Rebelde Way.
Isabel Monteverde (Artista Maldito)
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