
Portugal viveu muitos anos uma guerra com palco em locais longínquos.
Milhares de ex-combatentes "passaram" a familiares, amigos ou colegas de trabalho o "contágio" por efeito dos traumas adquiridos. Ainda somos aos milhares, sim, aos milhares, nós, portugueses, a quem os sucessivos governos, após a chamada Revolução dos Cravos, têm vindo a ignorar.
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Hoje, com esta humilde publicação, quero homenagear uma mulher: psicóloga-clínica, que se tem dedicado ao estudo e ao acompanhamento dos desprezados ex-combatentes e suas famílias.
Faço-o hoje, no dia do seu aniversário, aproveitando um pequeno trabalho que ela própria elaborou.
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Faço-o hoje, no dia do seu aniversário, aproveitando um pequeno trabalho que ela própria elaborou.
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Parabéns
Perturbação Secundária de Stresse Traumático (STSD)
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As famílias ficam expostas à doença
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Nos últimos 20 anos, temos assistido a numerosas investigações sobre diferentes tipos de trauma e suas consequências, não apenas para aqueles que experienciam o trauma mas também para os outros que foram indirectamente afectados como resultado de viverem, trabalharem, conhecerem ou possuírem relações próximas com o traumatizado.
Os clínicos começaram a identificar sintomas idênticos à Perturbação de Stresse Pós-Traumático nas esposas de veteranos de guerra (Nelson e Wright, 1996; Maloney, 1988; Williams, 1980). Segundo estes o trauma e os seus sintomas afectam não só o indivíduo como todos aqueles com quem o traumatizado tem relações significativas.
A Perturbação Secundária de Stresse Traumático (STSD) é a denominação aplicada ao conjunto de consequências do trauma nos filhos e nas esposas dos sujeitos com Perturbação de Stresse Pós-Traumático (PTSD).
O que distingue o PTSD e o STSD é o facto de o stressor no primeiro caso ser directo, isto é, experienciado pelo próprio e no segundo caso, a pessoa lida diariamente com alguém com PTSD e fica exposta às suas reacções físicas e emocionais da vítima (Solomon, 1992).
A ideia de transmissão de emoções traumáticas dum membro da família para outro teve origem no primeiro estudo realizado por Hill (1958) no qual designou de stresse familiar.
O pressuposto subjacente à ideia de perturbação secundária de stresse traumático (STSD) é que existe um mecanismo de contágio do traumatizado para os elementos que com ele estabelecem relações significativas de forma a desenvolver sintomas idênticos.
Para se desenvolver STSD não é necessário ter sofrido um trauma anterior.
Trabalho destinado a informação elaborado pela psicóloga-clínica Dra Carla Santos
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5 comentários:
Não possuo formação nesta área, por tal não posso comentar. O passado é passado e simplesmente posso citar Nietzsche: " Cume e abismo se resolveram numa única coisa".
É bom empreender a subida ao cume e não fazer dos fragmentos de um passado doloroso o centro da vida.
Cega o presente e cria barreiras ao futuro.
É como a mulher de Lot.
Um beijo
Isabel
Cada caso é um caso, sendo todos diferentes quer na sua visão quer ainda nos tratamentos.
Não será bom ignorá-los. Depois de os identificar devemos tratá-los como outras doenças sem dramas nem tabus.
Por mim acrescento que nada me adianta reviver esses momentos dolorosos. Vamos viver um dia de cada vez procurando ser felizes mesmo nas coisas mais insignificantes.
Ninguém resolve nanda a ninguém.
Somos nós que temos de sair das situações não andando sempre a pensar na mesma coisa e aproveitando caminhar para outros aspectos do nosso dia a dia que são maravilhosos e que não conseguimos ver por estarmos sempre a viver no passado.
Cada pessoa é diferente mas a minha filosofia é esta.
Quando fumava dizia que não tinha vicios e todos os dias ia alimentando o do tabaco.
Um dia parei e disse:
A partir de hoje nem compras nem pedes tabaco a ninguem. Vais mostrar a todos que consegues.É um desafio. Felizmente consegui e se nos mentalizarmos conseguiremos fazer outros milagres na nossa vida.
Hoje recordo que muitos dias quando pensava realizar alguma coisa passava muito tempo para decidir e acabava por nada fazer ou ia arranjando desculpas para tudo.
É preciso acordar e acabar com muitos vícios que nos tiram a capacidade de raciocínio e de vontade própria.
Peço desculpa por ser tão radical mas quem sabe se nos derem um abanão não ficaremos melhor ....??
Não sou médico e há casos em que essa ajuda será indispensável.
Há situações que estavam mal e depois ficaram descontroladas quando se juntaram outros problemas como o desemprego, o alcool a idade....
Por esta publicação de reconhecimento e por outras, passo apenas para lhe dizer que na lapela do meu blogue está um selo que lhe passo de coração aberto. Queria muito que o fosse buscar.
Um beijinho
MV
António, a história ficará sempre marcada, seja em que época fôr, em que país fôr.
Coisas boas, coisas más.
Tudo está registado, no mundo, nas vidas das pessoas, e por vezes deixam marcas profundas, mas provavelmente existem fantasmas que temos que empurrar para não continuarem a povoar as nossas vidas e seguirmos em frente.
Esta a minha opinião meu amigo.
Esqueça!!!
E a nova fotografia está muito bem
Bijinhos
Isabel
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